A primeira feijoada…

Primeira feijoada!

… eu nunca vou esquecer!

Já estava longe da minha terra natal há 4 meses – tempo ainda insuficiente para sentir falta da comida. Mas não tive mais como fugir. Por todos os lados, em todas as direções, o povo clamava: feijoada, feijoada, feijoada… Era chegada a hora!

Provei pratos bem gostosos da Ucrânia, Polônia, França, Coréia, Tailândia, Itália e não tinha mais como escapar. Quando pediam para eu cozinhar feijoada, eu relutava dizendo que este prato eu faria só em uma ocasião especial ou no dia em que minha religião permitisse. Não queria admitir que nunca tivera feito ou que estava com preguiça de procurar todos os pertences que os slaves resolveram colocar nesta há tempos e tempos…

Mas, neste final de semana, chegou a minha vez de parar de filar a bóia dos outros países e mostrar como era tão maravilhosa a comida do meu país. Eram quatro horas da tarde quando chegava a vigésima pessoa na minha casa… Isso que deu falar sempre sorrindo e bem da minha comida, bebida etc…

Se eu tava nervosa pra dar certo? Como fazer feijoada na Inglaterra? Saí às ruas procurando feijão preto e achei o proprio Camil pertinho da minha casa. Um russo me ouviu perguntando no supermercado e disse: “Se you quer fijon de cualidade, da sua terra, tem na lojinha que vende coisa de Portugal!“. Achei na lojinha também a farofa da Yoki. Mas e os pertences?

Ah… isso foi o mais difícil e como eu só achava restos de lamb, resolvi criar a minha feijoada: restos de cordeiro e cabrito ao invés de restos do porco. E não é que deu certo? E não foi que todo mundo repetiu e eu até me emocionei de tão feliz da vida que fiquei? Por isso, vou patentear!

Feijoada na Inglaterra com restos de lamb! Como fazer? Compre as partes do cordeiro que encontrar. Eu comprei as mais baratas porque precisava economizar ( pés e rabo ). Adicione à elas, Gommo – uma espécie de carne seca que vende por aqui. A carne, que é de boi, não é tão salgada, mas desfia como a carne seca. Junte também sausage e bacon.

Eu temperei tudo só com sal, pimenta do reino, cebola, cheiro-verde e louro. Refoguei as carnes neste tempero, joguei o feijão, água e deixei cozinhar por três horas. O feijão precisa ficar 12 horas de molho na água antes de ir pra panela… Isso foi o help da minha avó, que está no Brasil, e faz a melhor feijoada do Universo.

Faça um bom vinagrete, arroz bem soltinho e farofa, que eu coloquei bacon frito. Por aqui também não existe couve. Feito tudo isso, é só se jogar na caipirinha, mostrar que temos samba no pé ( não no meu caso ) e colocar nossas boas músicas.

A festa, que eu estipulei hora pra acabar, terminou umas 6 horas depois. Foi uma típica festa brasileira. Vinícius de Morais, Clara Nunes, Tom Jobim e Tim Maia também brindaram com a gente! Para o gringos, foi o maior prazer do mundo conhecê-los. E, para mim, ainda mais apresentá-los…

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* Yoruba e swahili, em Brighton !

*Yoruba e swahili no dialeto africano significa levando e trazendo felicidade suprema!

“Vamos ouvir um sonzinho que meu amigo africano vai tirar? É rapidinho!”, disse  um amigo que faz mestrado sobre a África numa universidade em Brighton.

“Rápido mesmo? Hoje preciso ficar em casa porque minha flatmate polonesa vai fazer um jantar pra gente. Mas, então vamos, vou direto da aula, nem vou passar em casa, já que é rápido…”, disse eu a caminho do tal sonzinho…

Isso tudo foi no mesmo dia em que as pessoas resolveram falar de dinheiro, felicidade…  E, pra minha surpresa, caí numa festa maravilhosa de africanos, todos sem um puto, é claro, tocando um puuuuta som. Sonzinho? Há!

Por sorte, estava com a câmera na mochila, com pouca bateria, mas consegui fazer essa imagem que vocês virão a seguir. Reparem na senhora que está na percussão, a Beverly. Depois do show acabei sendo convidada para continuar na festa, mas na mansão dela, em Brighton. Fazia tempo que ela não abria a casa pra receber os amigos, os móveis estavam todos com pano por cima, cheiro de mofo… Por quê?

Ah… simplesmente porque ela largou tudo para viver na África. Mas, por que, Beverley? “Tudo bem, Maria, minha casa é confortável, linda, de frente para o mar. Mas… me faltava ainda o que eu não conseguia comprar e fui achar na África, junto com a miséria e o calor humano dos que me ensinaram a tocar este instrumento que hoje é minha vida…”

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Dinheiro traz felicidade?

Hoje na aula uma colombiana de 32 anos disse que antes de vir pra Inglaterra morava numa casa confortável com piscina, tinha uma suíte só pra ela, empregados etc e negócio próprio, mas não era feliz. Hoje em dia, ela trabalha no caixa de um restaurante vendendo fish and chips e é a pessoa mais feliz do mundo. Não precisa mais lidar com papéis, apenas sorrir, digitar poucos números, pegar o dinheiro que recebe diariamente e ser ela mesma.

Já a tailandesa que senta ao meu lado formou-se em hotelaria em seu país e trabalhava num dos maiores hoteis em Bangkok, ganhava muito bem, a ponto de comprar casa para seus pais e para ela, mas decidiu largar tudo e trabalhar de garçonete em Brighton. Por quê? “Porque eu não era feliz atrás da mesa cheia de pápéis, tendo que estar com o celular ligado 24 horas por dia. Preferi ganhar um pouco menos, mas ser feliz.”

Mas o italiano de Carmona, que também estuda comigo e se orgulha porque é da mesma cidade do  Stradivari , diz que vendia violinos como vendemos Skol num dia de calor em Ipanema. Sim, ele disse isso. (rs)… Mas, e é aí que vou repetir e estou repetindo tanto o “mas” , ele também resolveu se mandar para a Inglaterra no intuito de aprimorar seu acento inglês. Antes ele lidava só com gente culta, educada, mas hoje em dia ele coloca recheios dentro de tortas numa fábrica aqui em Brighton. Poderia ser um trabalho estúpido, diz ele, mas me divirto diariamente com meus colegas. A diferença do antes e depois? Agora ele ganha menos, bem menos, mas é feliz e não quer voltar tão cedo para lá.

E porque eu coloquei este post? Também não sei, só para falar que tem como ser feliz nesta vida, de várias formas, de várias maneiras e que, definitivamente, dinheiro não traz felicidade ou traz ??!!! Ou também porque tenho no Brasil um monte de amigos que ganham uma fortuna mas gastam todo esse dinheiro pagando psiquiatra e comprando ansiolíticos. Nao sou contra nada disso, até porque acho fundamental para o equilíbrio do ser humano visitar um psiquiatra, mas… fiquei pensando sobre isso e resolvi postar.

E por que esta foto? Porque no meu país eu tinha dinheiro para tomar vinho em taça de cristal e aqui eu não tenho. Compro no supermercado, já que é muito mais barato, levo para a praia e tomo em copo de plástico, mas… estou feliz!

Vinho no copo de plástico e com pose!

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Transbordando no casamento real !!!

“Minha mente está tão cheia que estou me transbordando…”

Isso é o que eu posso afirmar pra vocês, que seguem o Dois a Girar diariamente. Do outro lado do mar, onde tudo é novidade, queria parar num coffee shop e comprar horas para ter mais tempo e postar aqui tudo o que vejo, sinto, conheço, presencio, pego, falo, ouço etc…

Não faltam contos, estórias e histórias, mas falta tempo. Por isso, em tempo, escrevo para avisar que estarei no casamento real junto com o repórter Marcelo Torres, do SBT.  Aqui, vocês não imaginam a loucura que está: gente comprando papel higiênico com o rosto dos príncipes, assento de privada, caneca, chaveiro e, claro, um montão de curiosos dormindo perto da Abadia desde domingo.

Confesso que me deu preguiça isso tudo, mas minha mente me surpreende a cada dia e uma forma de eu não deixá-la transbordar é me divertindo e brincando com as palavras e com as imagens. Assistam ao SBT Brasil e o Jornal do SBT… Vai valer a pena!

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Flores pra vocês !!!

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Acho que já consegui, sensorialmente, visitar algumas vezes na vida o Jardim do Éden e voltar. Maravilhoso, surpreendente, fantástico… Sempre quis compartilhar, da mesma forma, esta sensação gostosa demais, mas nunca conseguia.

Pode ser que desta vez eu consiga, em partes, é claro! Descobri um outro jardim, o mais bonito que já vi na vida e que, para minha sorte, só fica aberto dois meses por ano, e eu estava lá, em Lisse, na Holanda, para sentir o “Jardim da Cozinha”, que é o significado de Keukenhof. Leva este nome porque o espaço onde o parque está hoje fazia parte do Castelo de Teylingen e lá havia ervas que eram colhidas e levadas para a cozinha de Jacoba Van Beiren, condessa que vivia no castelo no século XV.

Keukhenhof é o maior parque de tulipas do mundo, abriga cerca de 4 milhões e meio deste tipo de flor em diversas cores e tamanhos e, neste ano, ficará aberto apenas de 24 de março a 20 de maio. Não preciso escrever muito sobre ele, basta virem as fotos, que falam por si.

Vale a pena eu explicar como você chega lá a partir de Amsterdan. O modo mais fácil é pegar um trem da Estação Central até Schipol ( 7,90 euros ida e volta e 20 minutos ). Chegando em Schipol, não existe nenhuma informação, mas saia do aeroporto ( só tem uma saída ) e virá um quiosque ínfimo, vendendo tíquetes para lá. O ônibus e a entrada custam 21 euros e você quando chegar ao parque não precisará pegar a fila quilométrica de turistas. Isso já é vantagem demais, acredite! Depois de desfrutar uma paisagem deslumbrante no caminho, com casinhas pitorescas, moradores mais ainda, é só esquecer da vida, tentar não pensar em nada e só sentir… Sentir o que quer que seja.

Ah… e um amigo meu me contou que uma ótima dica é comprar um bolo com cannabis em Amsterdan e comer por lá. Escolha o tipo de viagem e divirta-se. Em qualquer uma delas, você vai sair extasiado. I promisse !!!

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Pina Bausch no céu e sua companhia nos palcos: amém!

Logo depois que a dançarina, com sorriso encantador, atravessou o palco para anunciar o intervalo, a espectadora atrás de mim disse aliviada: “Ainda bem que não preciso escrever sobre isso para a edição de amanhã, preciso de mais um dia para digerir tudo isso”. E eu pensei: “Ainda bem que eu simplesmente não preciso escrever sobre isso, porque nada que eu escrevesse seria digno, seria suficiente”.

Como, assim como ela, sou jornalista e tenho esse faniquito de ir pro computador quando descubro algo legal, resolvi escrever umas linhas aqui. Mas basicamente pra dizer que o espetáculo Ten Chi, da falecida coreógrafa alemã Pina Bausch, entra em cartaz hoje no Teatro Alfa, em São Paulo, e vale cada real cobrado no ingresso (de 60 a 200). Também será apresentado no Rio e Porto Alegre.

Ten Chi, cujo ensaio aberto foi realizado ontem, é baseado numa vivência que a trupe da Tanztheater Wuppertal teve no Japão. Mas, definitivamente, não é um espetáculo sobre o Japão. Ele é cosmopolita, com músicas de diversos estilos e ritmos, com falas em português, espanhol e inglês e, isso sim, diversas referências ao Japão, mas de uma forma original e sutil.

Em termos de teatralidade, já que Pina não faz simplesmente dança, e sim dança-teatro, um dos pontos altos é quando uma dançarina de feições orientais chama pessoas da primeira fila e pega em suas mãos para contar quantos dedos elas têm e, surpresa, perceber que é igual a elas. Enquanto isso, ao fundo, um dançarino despe o outro de uma infinidade de quimonos de todas as cores que ele vestiu um sobre o outro, até ficar de cueca, e coloca nele uma roupa mais ocidental, digamos.

Isso, acho que agora me ocorre uma definição melhor: Ten Chi trata de encontros culturais, e também desencontros. Mas deve tratar de tantas outras coisas que só vendo pessoalmente mesmo. Não há como descrever, por exemplo, o efeito da “neve” que cai durante todo o espetáculo, alterando o visual do palco e o efeito de cada passo dos dançarinos.

Portanto, não se contente em ler as críticas nos jornais e revistas, porque certamente serão insuficientes. Assim como este textinho aqui, que entrou no Dois a Girar porque, definitivamente, experiências como esta mostram que é possível viajar sem sair da nossa cidade.

Pina Bausch no céu e sua companhia nos palcos: que continue assim por muitas dinastias.

(E quem quiser saber mais sobre a coréografa e o espetáculo, leia aqui uma reportagem que escrevi para a Revista da Cultura)

Serviço: Em cartaz dias 14, 16, 17, 18 e 19 de abril; Segunda a Quinta, 21h | Sábado, 21h | Domingo, 18h; Setor I e II – R$200,00 | Setor III – R$100,00 | Setor IV – R$60,00 – Ingressos à venda pelo 11 5693-4000 ou 0300 789-3377, ou online: http://www.ingressorapido.com.br/Local.aspx?ID=76

Um dos vários solos das dançarinas de Ten Chi com seus vestidos coloridos (Foto: Divulgação)

Um dos vários solos das dançarinas de Ten Chi com seus vestidos coloridos

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It’s spring break !!!

Depois da aula, numa primavera, em Brighton...

Depois da aula, numa primavera, em Brighton...

Amigos, o sol está brilhando mais do que nunca na Inglaterra! It’s spring break !!!

O Dois a Girar vai dar um intervalo para comemorar esta estação tão colorida, mas volta jajá e escreve tudo o que lembrar, já que vai para Holanda, Amsterdan.

Assim como na paranóiadadoideira, postem aqui sábias e apetitosas sugestões para os próximos breaks!!!

See youuuu….

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