Palmas, a estação terminal do fast food

Era uma vez um conceito chamado fast food, inventado ou pelo menos popularizado pelo americanos, e responsável por acabar com a saúde de uma infinidade de pessoas – pela qualidade da comida e por fazer que elas tenham mais tempo para atividades estressantes, como o trabalho. Era uma vez uma lanchonete chamada Subway, que surgiu com a proposta de fazer um fast food mais saudável (sem fritura), mais transparente (montando os sanduíches na frente do cliente) e mais simpático (sem a frieza robótica dos McDonald’s da vida). Era uma vez uma cidade onde tudo isso foi por água abaixo.

Palmas festejou dias atrás a chegada de seu primeiro shopping center de verdade – antes havia um que mais parecia uma galeria, nem farmácia tinha. O Capim Dourado Shopping, inaugurado com pompa e manchetes de jornal, é bonito, tem lojas que muitos tocantinenses nunca tinham visto e uma praça de alimentação modernosa, com teto de vidro e ventiladores que mais parecem hélices de helicóptero, de tão grandes. Mas tem uma coisa que atrapalha o bom andamento: o ser humano.

Os funcionários do Subway ainda não entenderam o funcionamento. Os clientes, muito menos. Aquela coisa simples, rápida e eficiente de responder três ou quatro perguntas (Qual pão o senhor deseja? Queijo cheddar, prato ou muzzarella? Cebola, azeitona ou não sei o quê? Qual o molho?) e ter o lanche pronto em 2 ou 3 minutos virou um nó na cabeça das pessoas. Resultado: uma fila grande que não andava nem a pau, onde perdemos quase uma hora (!). A Maria quis ir embora várias vezes, mas eu estava curtindo a experiência antropológica. E, acima de tudo, morrendo de vontade de comer algo diferente…

Ficamos até o fim, e quase arrumamos confusão. Enquanto era só observar os atendentes atrapalhados e os clientes indecisos, mandando tirar a cebola de um sanduíche e colocar no outro, ou então saindo com uma sacola abarrotada, como se fossem alimentar um batalhão, estava até engraçado. Mas aí, bem na minha vez, após tanta espera, chegou uma sujeita que não estava na fila, encostou no balcão e começou a pedir.

– Você estava na fila?, perguntei.

– Não, mas sou funcionária. Preciso comer logo pra voltar a trabalhar.

– Ah, sei…

Indiferente ao constrangimento dos colegas, o tipinho não só foi em frente e pediu seu sanduba, como exigiu ser tratada como cliente. Aí a experiência antropológica deu nos nervos.

– Escuta, você precisa decidir. Se é funcionária, é funcionária. Se quer ser tratada como cliente, então entra na fila como todo mundo!, eu disse.

Do outro lado, a Maria disparou:

– Você é folgada.

A menina fez cara de zangada e saiu bufando.

– Ela trabalha aqui mesmo, perguntei.

– Infelizmente, respondeu o atendente.

Vou sugerir que eles implementem um serviço de delivery. E programar o estômago para me avisar bem antes quando for ter fome…

Sobre Julio Cruz Neto

Escritor, documentarista e jornalista
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2 respostas para Palmas, a estação terminal do fast food

  1. Juliana Muniz disse:

    Parabéns pelo blog! Muito bom!!
    Conheci um pouco mais de Palmas lendo os posts… já que as minhas tentativas de turismo solitária foram um fracasso…rsrs
    Beijos
    Juliana

  2. mariacastilho disse:

    Jú, que bom que vc gostou. De longe, continue viajando com a gente. Adoramos tê-la conosco e conhecê-la. Bjs e boa viagem tb!

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