A mulher castrada do cerrado

Nem Jack Palance, nos bons tempos do seu programa “Acredite se Quiser”, botaria fé nisso. Eu mesma, se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, acharia que é ficção. Só vi coisa semelhante quando “zapeava” os programas da Márcia Goldschmidt, do Datena, Ratinho, Gil Gomes etc.

Fui fazer uma matéria numa cidade ao lado de Palmas, Porto Nacional, e me deparei com um empresário, que me acompanhava na reportagem, recebendo uma ligação. Era a polícia. Eu, ouvindo só os comentários do lado de cá, fiquei curiosa. “Mas ele gozou? Gozou ou não? Fala logo, pô! Tô passando aí para levar ela pra castrar”.

Nem precisei perguntar o que aconteceu e ele começou: “Você acredita, Maria Eugênia, que eu tinha um caseiro que quis sair do meu sítio, que tinha casa, energia elétrica, luz etc para ir atrás da mulher porque ela se juntou com outro?”.

“Eu fiquei com dó desse pobre coitado, já que a mulher largou ele com os sete filhos e resolvi dar uma casinha pra ele. Agora, tudo o que acontece com eles, alguém me liga”.

E durante a conversa fiquei sabendo que a mulher até arrumou namorado pra filha em troca do genro transar com ela. Isso mesmo: o genro só aceitaria transar com a mãe se antes pudesse comer a filha de 14 anos. A menininha, que eu conheci vestida com uma microsaia e um tomara-que-caia rosa choque, parece uma bonequinha, baixinha, magrinha e com rosto de criança.

A rotina deles parece de filme. A mãe é alcoólatra e o pai também. Vira e mexe os filhos vão buscar os pais nas sarjetas ou delegacia. O conselho tutelar já tirou os filhos deles, mas eles retomaram a guarda. Quando estão em casa, só brigam, discutem etc. Não estão nem aí se os filhos vão à escola ou não. A filha mais velha, esta de 14 anos, é quem pediu para ir à escola e os irmãos quiseram copiar.

No dia que eu passei lá, ela não tinha ido porque estava suspensa: bateu numa menina que falou do cabelo dela. Cabelo de negro, pichaim!

O empresário já tentou criar um dos filhos do ex-caseiro, o mais novo, mas o moleque era “encapetado”, como ele disse, e a esposa não deu conta.

Essa história digna de um filme do Buñuel atrapalhou minha reportagem, porque o empresário precisou sair correndo para levá-la para “castrar”. Não é de nenhuma cadela que ele estava falando, mas da antiga caseira, que obrigou o filho de 13 anos a transar com ela. E, louca que é, deu queixa na polícia. É disso que se tratava o telefonema.

Acredite, se quiser…

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