Country com cheiro de naftalina

Os pés não param um segundo sequer. As mãos ora na cintura, ora segurando o chapéu – item obrigatório, junto com a botina de bico fino. Calça justa, mas não Wrangler, cigarro na boca e um inglês com sotaque de interior de Brasil, tipo Piracicaba. Estamos em Nashville, capital do Tennessee e da música country.

A primeira impressão não foi das melhores. Chegamos à noite e nos deparamos com uma cidade fantasma. Ninguém nas ruas até encontrarmos a Broadway. Nela, vários saloons que, para minha decepção, não tinham portas do tipo bangue-bangue, como nos filmes… muito menos alguém com cigarro “pendurado” na boca e arma na mão – lembra do Zé Buscapé? Mas são descontraídos e divertidos, noite e dia. Entramos em todos. Tomávamos uma cerveja, víamos gente boa tocar, fazíamos umas gravações, dávamos uma gorjetinha e seguíamos para a porta ao lado.

Afinal, uma das melhores coisas dos EUA é não pagar para entrar nos lugares e nem ter consumação mínima.

A cidade é bem pitoresca. Com cerca de 530 mil habitantes, tem as gravadoras de discos country para visitar, lojas que cheiram a naftalina, com velhinhos tocando e vendendo discos antigos e souvenirs que lembram os de Aparecida, além de um museu que conta a história do country. Apesar de não sermos fãs desse tipo de música – muito pelo contrário -, resolvemos visitá-lo para diminuir nossa ignorância.

Bem interessante. Lá, ficamos sabendo, por exemplo, que o country nasceu da fusão entre o folk de origem irlandesa e o blues dos negros americanos. Aprendemos também que eles arrebentaram até o Elvis aparecer, mas depois ficaram na berlinda. Também fomos apresentados a músicos talentosos, como Hank Williams e Hank Williams Jr. O pai fazia um country mais autêntico e fez um sucesso danado. O filho, para tentar acompanhar o pai, apelou para uma coisa mais puxada para o pop e o rock, e daí saíram bons discos também.

Nosso repertório já não está mais limitado a Johnny Cash e Willie Nelson. Valeu a pena.

Banda num dos saloons de Nashville

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