Memphis não morreu

“You are listening to Elvis Radio. It’s 9 o’clock in Memphis!”

Foi assim que fomos recepcionados em Memphis, a maior cidade do Tennessee. Mal acreditamos quando apareceu escrito “Elvis Radio” no dial. E mal acreditamos também quando, um bom tempo depois, percebemos que estávamos há quatro dias seguidos ouvindo essa rádio direto, sem enjoar. Isso porque até então achávamos que não gostávamos muito do rei.

A rádio local era só uma pitada do tanto de coisas do Elvis que veríamos pela frente. As placas de Graceland no caminho – o local onde Elvis morou – fez com que achasse que estivesse no lugar errado, afinal, se fosse pelo meu gosto musical, preferiria estar em Liverpool. Cheguei a cogitar a hipótese de não fazer este passeio. Felizmente, desisti da ideia.

A tranquilidade refletida pelo rio Mississippi mostrou que, se não fosse Elvis, a cidade seria muito mais pacata. Hotel na beira do rio e no último andar… melhor paisagem impossível. Do alto, via várias carruagens passeando pelas ruas – uma tradição do lugar. Algumas delas até pareciam com a da Cinderela, como mostra esta foto. Sim, passeios românticos fizeram parte!

A carruagem de Memphis. Esta não era do Elvis, era da Cinderela

Saímos a pé para conhecer a cidade e fomos até a Beale Street. Lá, parecia que estávamos em outra cidade. A calmaria ficou para trás e deu lugar a várias casas de música ao vivo, puro blues e jazz com várias pessoas bebendo nas ruas (abre-se uma exceção em lugares turísticos como Beale Street e a lendária Bourbon Street, em New Orleans) e curtindo o vozeirão dos negros que se revezavam nos palcos com músicos regionais. A que eu mais gostei foi a B. B King Blues Club.

O clima descontraído e o sugestivo cardápio, que nos deu o privilégio de saborear o famoso catfish – o nosso bagre, supercomum naquelas paragens – , fez com que esquecéssemos que a noite estava só começando. A pista bombando por senhores e senhoras que devem passar o dia inteiro treinando em casa ajudou no cenário do club.

Rodinhas no pé, curiosidade aguçada para saber o que mais nos esperava, saímos em busca de outros bares. Encontramos vários outros com cover do Ozzy, bandas de blues etc, mostrando que apesar de Elvis ter morrido precocemente, aos 42 anos, em 1977, Memphis continua bem viva.

Bebida na cabeça, pés cansados e, realmente, foi a hora de pegarmos uma carruagem pra ir embora. Afinal, dia seguinte prometia. Iríamos descobrir se Elvis morreu ou não!

Beale Street, em Memphis

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