Cabeças de queijo estão em festa

O Green Bay Packers venceu o Super Bowl neste fim de semana, tornando-se o campeão da temporada de futebol americano. Nós vimos de perto a força desse time num jogo contra o New York Jets no início da temporada, em outubro passado. Os Packers venceram fora de casa, no New Meadolands Stadium, novinho em folha.

Vimos um jogo horrível: 6 a 0 para o time de Green Bay, o que para o futebol americano é um placar ridículo – a final do campeonato, por exemplo, foi 31 a 25. Não vimos um touch down sequer e não vimos o time da casa fazer um mísero ponto. Mas ainda assim nos divertimos. Quando se está em férias, tudo é festa.

Primeiro nos divertimos com a “farofa” dos torcedores. Eles chegam bem antes do jogo e transformam o estacionamento num grande restaurante ao ar livre. Montam suas churrasqueiras, assam seus barbecues, enchem a cara de cerveja quente (fazia um frio de rachar os ossos) e ficam arremessando a bola oval de um lado para o outro. Havia dezenas de milhares de pessoas, estádio lotado. Mas no final, não se via um guardanapo ou uma latinha sequer no chão.

O frio e a fraca atuação dos Jets parece que esfriaram a torcida, mas ainda assim aprendemos alguns gritos de guerra – puxados pelo locutor do estádio, bem ao estilo do entertainment americano, a cada first down do time da casa.

Os torcedores da casa e os visitantes ficavam misturados, sem que isso provocasse nenhum atrito. Eles vão ao estádio, torcem e se divertem, mas não encaram aquilo como a coisa mais importante do mundo. Encaram o jogo como o goleiro Marcos falou ontem após a derrota para o Corinthians: sem bater na mulher, sem quebrar o carro de ninguém, sem achar que aquilo é mais importante do que os problemas de verdade do dia-a-dia, os que realmente interferem na nossa qualidade de vida.

Após o jogo, abordamos um casal de torcedores dos Packers para saber por que andam com um chapéu em forma de pedaço de queijo na cabeça. Explicaram que na região deles, uma das principais atividades econômicas é a produção de queijo. Agradeceram a nós por tirarmos uma foto deles, perguntaram de onde somos e nos deram mais um exemplo de simpatia deste povo que nós brasileiros criticamos tanto pelas razões erradas. Portanto, parabéns aos cabeças de queijo e aos torcedores americanos de maneira geral.

PS: Apesar de o estádio estar lotado, ir ao banheiro e comprar hotdog no intervalo foi quase tão confortável como se fosse em casa. O ingresso custa caríssimo, mais de 100 dólares por pessoa num lugar meia-boca, mas vale a pena.

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Sobre Julio Cruz Neto

Escritor, documentarista e jornalista
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2 respostas para Cabeças de queijo estão em festa

  1. Flavia disse:

    que texto bacana, darei um RT! virei mais vezes aqui, Julio! btw, por onde vc anda? beijão, Flavia

  2. Julio disse:

    ando aqui por são paulo mesmo, quem anda viajando é minha parceira. visite sempre o site, seja bem-vinda. bjs

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